Juventude da Terceira

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“O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz. Por isso, eu lhes digo: Usem a riqueza deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando ela acabar, estes os recebam nas moradas eternas.Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito.” (Lucas 16.8-10)

(para quem não conhece a parábola do Administrador Infiel, sugiro assistir o vídeo Um ladrão tem algo a ensinar, aqui no blog ou ler todo o início do capítulo 16 de Lucas)

Temos riquezas para administrar

Temos riquezas para administrar

Jesus começa a explicação dessa difícil parábola dizendo que existem dois grupos de pessoas – os filhos do mundo e os filhos da luz. Sobre essa divisão já ouvimos várias vezes. O curioso nessa parábola é que Jesus levanta uma crítica a nós, os filhos da luz, e elogia os filhos do mundo, representados pelo administrador desonesto. Por que ele elogia? Porque esse bandido soube usar o seu dinheiro de uma maneira tão sábia (para os padrões dele), que até o seu ex-patrão o elogiou (e talvez o tenha contratado de volta). Os filhos da luz, por outro lado, são criticados por aquele que seria o mais próximo de “patrão” na vida deles.

Os crentes geralmente não agem com sabedoria. Da mesma forma que aquele administrador, temos a responsabilidade  de cuidar dos bens de alguém. No entanto, quando nos deparamos com essas riquezas e esses bens, não agimos procurando a decisão que nos interessa. E qual é a decisão que nos interessa? Teoricamente, deveriam ser decisões que envolvem a manifestação da luz de Deus aqui na terra. Isto é, nosso uso de nossos recursos deveria ser luz neste mundo.

O teólogo Vincent Cheung, comentando esse texto, nos diz que, como os incrédulos possuem prioridade mundana, eles são sábios (aos seus padrões), por fazerem de tudo para que esses objetivos sejam alcançados. Os crentes deveriam ter prioridades celestiais, mas muitas vezes estão mais preocupados em atingir os mesmos objetivos dos incrédulos. E então, esse autor conclui tristemente – “geralmente os incrédulos são melhores em ser incrédulos que os cristãos em serem cristãos”.

Jesus também fala de fidelidade. Normalmente quando alguém ouve essa palavra associada com dinheiro já pensa “bom, eu sou fiel, porque sou dizimista”. E desde quando fidelidade só significa isso? A Bíblia fala muitas vezes de fidelidade. Mas ela significa muito mais que depositar 10% todo mês na cestinha. A palavra fidelidade tem uma conotação de aliança. Isto é, um pacto entre duas pessoas, e essas duas pessoas concordam em cumprir essas estipulações.

A aliança mais próxima da nossa realidade é o casamento. Normalmente gostamos de diminuir o que é fidelidade para simplesmente não trair o parceiro. Fidelidade também é isso, mas

Fidelidade implica em 100% de compromisso

Fidelidade implica em 100% de compromisso

é só isso? Há uma aliança se um dos cônjuges pensa assim: não me deito com outra pessoa, mas minto pra você, roubo seu dinheiro, não te dou atenção em casa, nem ajudo a criar seus filhos? Super romântico, não é? Quem não quer um amor assim? Quem não quer ser amado assim? Duvido que alguém queira.

Mas é assim que muitos de nós agimos com o Deus que nós dizemos que amamos. Dizemos que estamos numa aliança com ele, mas achamos que administrar os 10% já tá bom. É por isso que tomo certo cuidado com a expressão “devolver o dízimo a Deus”. Os outros 90% também são dele e devem ser usados de maneira que honrem o seu Nome. Você é um mordomo, está apenas administrando essa parte na sua casa, com fins normalmente não-religiosos, enquanto a outra parte é administrada na igreja, com fins religiosos. Mas os 100% devem ser usados para a glória de Deus.

Portanto, a primeira lição de Jesus é: os filhos da luz não têm sabedoria para administrar seus bens de maneira a fazer valer aquilo em que eles crêem. Os filhos da luz não são fiéis nessas poucas riquezas que eles recebem aqui na terra. Os filhos da luz são piores em ser filhos da luz que os filhos do mundo em ser filhos do mundo. Jesus não se preocupou em saber se é mais difícil, Jesus não se preocupou em dizer se não é. Ele disse: sejam coerentes com aquilo que vocês dizem que acreditam. Se vivem para a luz gastem seus bens com a luz.

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